Memória
Para que o extermínio indígena, as remoções forçadas, o autoritarismo policial, o moralismo punitivo e a violência econômica não sejam apagados.

A RIP emerge como um levante histórico, popular, indígena, periférico, negro, LGBTQIAPN+, trabalhador — estruturalmente antifascista.
DescubraEntre Votuporanga e Ilha Solteira, entre a cana que desenha horizontes e as águas que redesenham destinos, o interior paulista desperta novamente para si. Por décadas, esta faixa do noroeste se viu tratada como quintal político, reserva de votos dóceis, região sacrificável.
Mas é justamente aqui, onde o Estado testou seus mecanismos de controle antes de aplicá-los ao Brasil urbano, que nasce a fagulha de uma nova revolução territorial. A RIP não surge como mais um movimento cultural; ela emerge como um levante histórico, popular, indígena, periférico, negro, LGBTQIAPN+, trabalhador, profundamente enraizado nas contradições específicas deste interior e, por isso mesmo, estruturalmente antifascista.
Quando se entende este território, entende-se o porquê. Antes mesmo de existir a palavra fascismo, o interior paulista já experimentava suas práticas: o latifúndio como forma de autoridade absoluta, a disciplina moral como mecanismo de controle cotidiano, a violência como instrumento regular.
O que hoje chamamos de interior é herança de um processo violento de ocupação, onde cidades nasceram às custas do apagamento de povos originários, especialmente dos Guarani, Kaingang e Terena, que foram empurrados, perseguidos, mortos, ou assimilados à força.
Essa violência originária — o extermínio indígena — não é um detalhe do passado: ela estruturou a própria lógica social e política da região. Ela ensinou que algumas vidas podem ser removidas, realocadas ou sacrificadas, contanto que o projeto econômico avance. A naturalização dessa lógica é o primeiro pilar do fascismo.
Por isso, aqui, ser antifascista não é moda: é sobrevivência.
O fascismo foi normalizado nas práticas diárias, nos valores herdados, nos gestos repetidos. A RIP nasce justamente para romper o que sempre pareceu inquebrável: o ciclo de obediência.
Se o interior foi laboratório do autoritarismo, ele também será berço de sua derrota.
E é deste interior, tantas vezes subestimado, que surgirá a ruptura que o Brasil nunca imaginou, mas sempre precisou.
A RIP defende uma revolução baseada em três pilares fundamentais que guiam nossa luta por emancipação territorial.
Para que o extermínio indígena, as remoções forçadas, o autoritarismo policial, o moralismo punitivo e a violência econômica não sejam apagados.
Para formar conselhos populares decisórios, redes de solidariedade, sindicatos comunitários, frentes de defesa legal e brigadas de cuidado territorial.
Para que praças, escolas, centros culturais, prédios públicos e territórios sejam governados pelo povo, e não por elites econômicas ou religiosas.
Nas cidades do interior, muito antes de campanhas eleitorais fascistas aparecerem na TV, já havia um tipo de fascismo cotidiano, ancorado em:
Toda a região é marcada por uma trajetória comum: expansão da cana, loteamentos especulativos, favelização periférica, controle religioso conservador e projetos estatais gigantescos.
Assim convocamos quem vive no entremeio dessas cidades, dessas águas, dessas plantações e dessas memórias:
Vocês não são massa de manobra de coronéis modernos, não são curral eleitoral de elites decadentes, não são território de uso. Vocês são povo.
E povo organizado derruba regimes, altera destinos e reconfigura mapas. O fascismo encontrou aqui seu laboratório; a RIP será o laboratório de sua ruína.
A RIP se afirma, desde sua fundação, não apenas solidária, mas comprometida com a reparação histórica e com a centralidade dos povos originários — Guarani, Kaingang e Terena — na reconstrução de um interior verdadeiramente livre.
A RIP emerge como movimento de emancipação territorial que resgata a história, enfrenta suas dores e devolve ao povo aquilo que sempre foi seu: o direito de decidir seu destino.
Suas informações são protegidas e usadas apenas para comunicação do movimento.
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